Socioeducandos são repórteres por um dia em atividade realizada durante o evento “Caminhos Literários”

Com o objetivo de valorizar o papel da cultura e do audiovisual na construção de novas narrativas, adolescentes que cumprem medida socioeducativa no CASE Caicó realizaram uma cobertura jornalística das atividades autogestionadas realizadas na unidade durante a última sexta-feira (4/7). A ação integrou a programação da 4ª edição do “Caminhos Literários no Socioeducativo”, que este ano teve como tema “Adolescências em Cena”.
Para garantir que a cobertura do evento pudesse acontecer através do olhar dos adolescentes, a equipe de comunicação do Fazendo Justiça promoveu oficinas virtuais de capacitação. Nos encontros, foram abordadas noções básicas de jornalismo, produção de texto e edição de imagens, a fim de que os socioeducandos pudessem se preparar para o momento e sugerir pautas.
Segundo a técnica Kamila Alves, que atua na unidade de Caicó, os socioeducandos demonstraram entusiasmo em participar da proposta, seguindo todas as orientações dadas durante os encontros preparatórios. “Um deles falou que nunca tinha imaginado passar por essa experiência de ser jornalista por um dia”, relatou. A atividade também contou com a participação da mãe de um dos socioeducandos, que ficou feliz ao ver o filho realizando uma entrevista.
No vídeo produzido por um socioeducando, a psicóloga Genilda de Souza relata que a ideia da oficina de pintura surgiu a partir da sugestão de um interno que já havia desempenhado a tarefa em outro local. “Inicialmente foi algo bem amador, mas, com o passar do tempo, descobrimos que a nossa pedagoga tinha habilidades com pintura e foi repassando para os adolescentes”, explicou.
Ao ser questionada pelo interno sobre o progresso da oficina, Genilda destacou que “sempre que possível, trazemos os adolescentes e tem sido um resultado muito positivo, tanto no trabalho que eles fazem, quanto no que a gente considera importante no ponto de vista da terapia”. Ela acrescentou que essa programação contribui para o controle da ansiedade, além de despertar a criatividade e a coordenação motora dos socioeducandos.
Outra entrevista realizada foi com um adolescente que cumpre medida socioeducativa. Após ser perguntado o motivo do desenho que estava sendo feito, ele respondeu que sentia saudade do bairro onde morava e quis fazer uma representação através da pintura.
Artes Plásticas

Além da cobertura jornalística, os socioeducandos também realizaram pinturas em tela, uma prática que já é desenvolvida na unidade e tem bastante aceitação dos adolescentes. Ainda segundo Kamila, isso contribui para a expressão de sentimentos e vivências. “Por meio da arte, os adolescentes podem desenvolver percepções subjetivas, exercitar a criatividade e dar forma às próprias emoções, muitas vezes difíceis de verbalizar”.
Os quadros que são produzidos na unidade viram presentes para os familiares. Entre os temas escolhidos estão personagens de desenhos animados, imagens religiosas e declarações de amor. Para além do valor simbólico, a atividade também possui um caráter terapêutico, uma vez que os adolescentes relatam sentir tranquilidade durante o processo criativo.
A iniciativa é promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no âmbito do Programa Fazendo Justiça, e realizado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
*Com informações do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e de Execução de Medidas Socioeducativas





