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OPINIÃO:Neilton Diógenes: um mandato que ainda não empolgou nem a própria base

Deputado de Apodi chega a 2026 sob críticas por falta de protagonismo, baixa articulação regional e posições políticas questionadas.

A eleição do deputado estadual Neilton Diógenes representou, à época, a esperança de que a região de Apodi finalmente teria uma voz forte e atuante na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.

No entanto, passados mais de três anos de mandato, o cenário é bem diferente do esperado.

Eleito com cerca de 25 mil votos, beneficiado pelo sistema proporcional e pela expressiva votação da nominata do seu partido — impulsionada por Wendel Lagartixa, que ultrapassou os 80 mil votos — Neilton chegou ao parlamento com apenas 25 mil votos, sem uma base eleitoral consolidada. E, até agora, não conseguiu construí-la.

Mais grave: não há, até o momento, um projeto de grande impacto ou ação concreta do seu mandato que tenha conseguido empolgar o eleitorado da sua própria região.

Nos municípios que compõem a região de Apodi — como Felipe Guerra, Rodolfo Fernandes, Severiano Melo e Itaú — o deputado não conseguiu estruturar um grupo político forte. Seu único apoio institucional de peso segue sendo o prefeito de Apodi, Sabino Neto.

Nos demais municípios, o que se vê são apoios pontuais, sem densidade eleitoral: vereadores, suplentes e lideranças isoladas.

Mas o ponto mais sensível está justamente em casa.

Paradoxalmente, Apodi, seu berço político, hoje figura como um dos municípios onde Neilton enfrenta maior resistência. E isso tem explicação: o mandato não empolgou, a atuação é considerada tímida e falta uma presença política mais firme junto às lideranças e à população.

Outro fator que contribui para esse desgaste são episódios políticos recentes.

No campo institucional, o voto do deputado em uma eleição para escolha de um conselheiro para o Tribunal de Contas do Estado gerou questionamentos e repercussão nos bastidores da política potiguar. Já no cenário local, suas posições políticas também levantaram dúvidas, especialmente pela oscilação entre grupos — ora se aproximando da oposição, ora da situação — o que acabou transmitindo uma imagem de falta de consistência. Hoje tem dificuldade com os “Verdinhos e os Vermelhinhos, resta apenas o grupo dos cinzentos”.

A política exige clareza de posição. E isso, até aqui, tem sido um dos principais pontos de crítica ao parlamentar.

Além disso, integrantes do seu entorno político — incluindo assessores e aliados — também enfrentam resistência dentro de Apodi, o que acaba ampliando o desgaste e dificultando ainda mais a construção de uma base sólida.

Outro aspecto que chama atenção é a limitação do discurso político apresentado até aqui.

O principal argumento utilizado para dialogar com o eleitorado da região tem sido o fato de ser “deputado da terra”.
Mas isso, por si só, não sustenta um projeto político.

Não basta ser apenas o deputado da terra — é preciso ser líder. E liderança se constrói com confiança, respeito e, acima de tudo, trabalho. É essa combinação que cria vínculos reais com a população e fortalece qualquer projeto político.

Fora de Apodi e com alguma presença em Santa Cruz, Neilton também não apresenta números expressivos de apoios de prefeitos — fator considerado essencial para quem busca manter um mandato no legislativo estadual.

Com a eleição de 2026 no horizonte, o cenário é desafiador.

Mais do que discurso, será necessário apresentar resultados concretos, fortalecer alianças e, principalmente, reconquistar a confiança do eleitorado da sua própria terra.

Porque, na política, quem não se sustenta na base, dificilmente se mantém no topo.

O outro lado
A reportagem deixa o espaço aberto para que o deputado estadual Neilton Diógenes se manifeste sobre as críticas, apresente as ações do seu mandato e detalhe quais projetos e investimentos têm sido destinados à região de Apodi e ao Rio Grande do Norte.

O texto será atualizado assim que houver posicionamento do parlamentar.

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