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Neílton Diógenes: um nome pesado na política de Apodi

Apesar de contar com lideranças ao seu lado, atuação considerada discreta e distante do povo levanta dúvidas sobre sua força eleitoral.

No cenário político de Apodi, uma expressão começa a ecoar cada vez mais entre analistas e nas conversas do povo nas ruas: Neílton Diógenes é um nome pesado. Pesado não apenas pelo desafio de consolidar uma base política, mas principalmente pela dificuldade de empolgar a população que, há décadas, sonha em ter um deputado estadual verdadeiramente representativo da região.

É verdade que hoje o deputado conta com apoios importantes. Ao seu lado estão o prefeito Sabino Neto, o vice-prefeito Ivanildo Lima, além de cinco vereadores do MDB e três do PP. No papel, trata-se de uma base política respeitável. No entanto, apoio institucional nem sempre se transforma em entusiasmo popular — e é justamente aí que reside o principal desafio do parlamentar.

Apodi já apostou em vários nomes ao longo dos anos na esperança de eleger um deputado estadual da terra. Terceiro Melo, Gilberto Olinto, Gorete Pinto, Professor Fláviano Monteiro e o Professor Luís Carlos obtiveram votações expressivas, mas não conseguiram alcançar o objetivo. Coube a Neílton Diógenes, com pouco mais de 25 mil votos, conquistar a vaga na Assembleia Legislativa. Uma vitória construída por diversos fatores, entre eles a conjuntura eleitoral da época e a extraordinária votação do então candidato Wendell Lagartixa, que acabou influenciando diretamente na formação das cadeiras do parlamento estadual.

Agora, Neílton Diógenes parte para a disputa da reeleição. Porém, passados mais de três anos de mandato, o que se percebe nas ruas de Apodi é uma ausência de empolgação popular em relação ao seu desempenho parlamentar. Fora do ambiente das lideranças políticas, dificilmente se ouve alguém exaltando sua atuação em favor da região.

Apodi foi sua principal base eleitoral, onde obteve quase 10 mil votos. Mesmo assim, muitos moradores avaliam que o deputado fez pouco diante da importância do município e das demandas da região. Recentemente, surgiu a estratégia de marketing que o apresenta como “o deputado filho da terra”. Mas ser filho da terra, por si só, não garante reconhecimento popular.

A população espera mais do que um slogan. Espera presença, escuta, defesa de pautas importantes e atuação firme na busca por melhorias concretas para a qualidade de vida do povo.

Durante muito tempo, inclusive, era raro ver o deputado caminhando pelas ruas de Apodi dialogando diretamente com a população. Em determinado momento, distribuiu um material impresso nas entradas e saídas da cidade apresentando suas ações parlamentares. Ainda assim, o conteúdo não conseguiu gerar grande repercussão ou entusiasmo entre os moradores.

Por isso, mesmo com o apoio político já anunciado, muitos observadores acreditam que o nome de Neílton continua sendo pesado para trabalhar junto ao povão.

Não basta investir em marketing ou reforçar o discurso de pertencimento. Um deputado precisa se posicionar como verdadeiro líder político, alguém que represente com orgulho o seu povo. E, no chamado “chão de Apodi”, essa percepção ainda parece distante da realidade.

Há quem diga que a votação de Neílton na cidade pode cair significativamente nas próximas eleições — até mesmo pela metade — o que representaria uma grande frustração para o deputado e seus apoiadores.

Outro ponto delicado envolve o próprio prefeito Sabino Neto, que hoje desfruta de excelente popularidade no município. Caso tente forçar aliados e lideranças a abraçarem a candidatura de Neílton, existe o risco de assumir uma rejeição que, até agora, não lhe pertence.

Mesmo assim, aliados próximos do deputado afirmam que ele está otimista e projeta alcançar 50 mil votos na próxima eleição. A meta, porém, desperta dúvidas entre analistas políticos. Na própria Assembleia Legislativa existem parlamentares com bases sólidas, apoiados por diversos prefeitos, que dificilmente atingirão essa marca.

Diante disso, surge a pergunta inevitável: como Neílton sairia de 25 mil para 50 mil votos sem dispor sequer de cinco prefeitos em sua base política?.

Pessoas próximas ao núcleo político do deputado admitem que cerca de 90% de sua estrutura eleitoral é formada por vereadores e suplentes. Um arranjo que, historicamente, tem limitações quando se trata de ampliar significativamente a votação.

Além disso, ao longo desses três anos de mandato, Neílton Diógenes também se envolveu em situações que geraram questionamentos sobre suas posições políticas, alimentando ainda mais as dúvidas em torno de sua liderança.

Ao longo da minha trajetória no jornalismo, especialmente no período em que atuei no Jornal Gazeta do Oeste, percorri diversas regiões do Rio Grande do Norte. E sempre percebi algo muito claro: quando uma região tem um deputado forte, o povo sente orgulho disso.

No Alto Oeste, o nome que simbolizava essa representatividade era Raimundo Fernandes.

No Vale do Açu, a referência era Ronaldo Soares.

No Seridó, era — e ainda é — Vivaldo Costa.
Esses parlamentares construíram uma relação de pertencimento com suas regiões.

Já no Vale do Apodi, o que se escuta com frequência é algo diferente: o povo reconhece a necessidade de ter um deputado estadual que represente verdadeiramente a região. Mas muitos dizem, sem rodeios, que esse nome não deveria ser Neílton Diógenes.

No fim das contas, a política continua sendo decidida pelo sentimento popular. Apoios políticos ajudam, estruturas eleitorais contam, marketing influencia — mas nada substitui a confiança do povo.

E, hoje, em Apodi, a impressão que permanece nas conversas das ruas é clara: Neílton Diógenes continua sendo um nome pesado.

Márcio Morais

Márcio Morais é jornalista graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e licenciado em Pedagogia pela Faculdade Evangélica do Piauí (FAEPI). Pós-graduado em Política e Gestão em Segurança Pública. Com mais de 20 anos de experiência na comunicação, foi assessor de imprensa das Prefeituras de Apodi e Pau dos Ferros, da Câmara Municipal de Apodi e de deputados estaduais na Assembleia Legislativa do RN. Trabalhou também nos jornais O Mossoroense, Gazeta do Oeste e Jornal de Fato, além de fundar o jornal O Vale do Apodi. É autor da série Por Trás das Grades (volumes I, II, III e IV) e do livro Pedro Rocha – Um dos Assaltantes de Bancos mais Temidos do Nordeste, que revelam histórias reais do sistema prisional e do crime no Nordeste. Criador do projeto literário e jornalístico Por Trás das Grades, mantém o site www.portrasdasgrades.com.br e o perfil @marciomoraisrn nas redes sociais. ovaledoapodi@gmail.com - (84) 99168-2808

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