Maus-tratos: um sintoma social que a política não pode mais ignorar

A violência contra animais e os casos de maus-tratos, que parecem se multiplicar, não são fatos isolados; são o reflexo de uma conjuntura social e do meio ambiente em que estamos inseridos. Recentemente, imagens de câmeras de segurança em Mossoró (RN) registraram um ato de brutalidade extrema: um homem chutou e arremessou uma gata comunitária, levando-a à morte. O caso, que já está sob investigação da Polícia Civil, é apenas a ponta de um iceberg que inclui outros episódios de grande impacto, como o do “Cão Orelha”, que ganhou repercussão nacional.
Em entrevista ao nosso programa na Rádio TCM 98FM, o médico veterinário Pollastry Diógenes trouxe uma perspectiva importante: os maus-tratos, sejam com animais domésticos ou no manejo de abate, fazem parte de um modelo de vida que precisa ser superado. Vivemos uma transição geracional onde práticas “antigas” — muitas vezes justificadas pelo “sempre foi assim” — hoje colidem com novos protocolos, regras e leis.
A ideia de que cuidar dos animais é “frescura” ignora um conceito básico e fundamental: a Saúde Única. O bem-estar animal não é uma situação isolada; está diretamente ligado à saúde humana. Como bem pontuou Pollastry, o estresse animal interfere até mesmo na qualidade da carne que chega à nossa mesa, gerando prejuízos que passam pela economia e terminam na própria saúde pública.
Dessa forma, fica claro que a solução não virá apenas da indignação nas redes sociais em casos de grande repercussão. É necessária uma ação efetiva, em que a classe política e a administração pública tomem posse deste debate. É urgente a criação de leis municipais sólidas, fiscalização atuante e, acima de tudo, um processo educacional contínuo que envolva o poder público e a população.
Enquanto os maus-tratos forem vistos apenas como “caso de polícia” e não como uma questão de administração e conscientização social, continuaremos sendo reféns de uma violência que desumaniza a todos nós.





