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Jovem morto por leoa em João Pessoa já havia passado pelas unidades prisionais de Caraúbas e Parnamirim

Criado em condições severas, sem apoio familiar, filho de mãe com esquizofrenia e avós com graves problemas de saúde mental, Gerson sofreu abandono desde cedo.

Márcio Morais – O Vale do Apodi
@marciomoraisrn @ovaledoapodi

O jovem Gerson de Melo Machado, de 19 anos, natural de João Pessoa (PB) e conhecido como “Vaqueirinho”, morreu no último domingo após invadir a jaula de uma leoa no Parque Arruda Câmara, na capital paraibana. A tragédia expôs um histórico de vulnerabilidade social, transtornos mentais e várias passagens pelo sistema policial e prisional.

Informações apuradas pelo Vale do Apodi revelam que Gerson já havia sido preso no Sistema Prisional do Rio Grande do Norte, com registros de passagem pela Cadeia Pública de Caraúbas, no Médio Oeste, e pela Penitenciária Estadual de Parnamirim (PEP) em 2024, onde respondeu a processo da 1ª Vara da Comarca de Assú.

Histórico de 16 passagens e comportamento alterado

A delegada Josenice de Andrade, da Polícia Civil da Paraíba, confirmou que o jovem acumulava 16 passagens policiais, a maioria por pequenos furtos e dano ao patrimônio. Segundo ela, Gerson apresentava transtornos mentais visíveis, e um pedido de internação psiquiátrica feito recentemente não chegou a ser analisado.

Policiais penais do RN que o abordaram em outras ocasiões relataram que o rapaz demonstrava comportamento psicológico bastante alterado, com falas desconexas e atitudes imprevisíveis.

Sonho de “cuidar de leões” na África

A conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou Gerson por oito anos, contou que desde criança o jovem alimentava o sonho de ir para a África “cuidar de leões”. Em diversas situações, ele se dirigia espontaneamente às delegacias dizendo que precisava viajar para encontrar os animais. Em um episódio grave, tentou entrar clandestinamente no trem de pouso de um avião no Aeroporto Castro Pinto.

Abandono e pobreza extrema

Criado em condições severas, sem apoio familiar, filho de mãe com esquizofrenia e avós com graves problemas de saúde mental, Gerson sofreu abandono desde cedo. Dos irmãos, foi o único que não conseguiu uma família adotiva, justamente pelas dificuldades comportamentais.

Mesmo destituído da guarda, ele fugia dos abrigos e procurava pela mãe.

A fatalidade no zoológico

No domingo, Gerson escalou um muro de mais de seis metros, atravessou a grade de proteção usando uma árvore como apoio e entrou no recinto da leoa. O ataque foi imediato. O zoológico foi fechado e a prefeitura abriu investigação para apurar as circunstâncias.

Vaqueirinho, morto por leoa, respondia a vários processos no RN; parte foi arquivada por insanidade mental

A reportagem do Vale do Apodi apurou que o jovem Gerson de Melo Machado, de 19 anos, natural de João Pessoa (PB) — morto após ser atacado por uma leoa no zoológico da capital paraibana — respondia a diversos procedimentos criminais em cidades do Rio Grande do Norte.

Conhecido como “Vaqueirinho”, Gerson possuía registros por furto, dano ao patrimônio público e também por agressão, com ocorrências registradas nas comarcas e unidades policiais de Patu, Caraúbas, Assú, Angicos e Natal. Os procedimentos policiais de Caraúbas e Patu, foi fruto de problemas criados por ele na Cadeia Publica de Caraúbas.

Segundo informações levantadas pela reportagem, alguns desses procedimentos foram arquivados após laudos psiquiátricos apontarem insanidade mental, o que levou o Judiciário a reconhecer que ele não tinha plena capacidade de entendimento e, portanto, não poderia responder penalmente em determinadas ações. Outros processos permaneciam aguardando decisão judicial.

A morte de Gerson teve ampla repercussão nacional após ele invadir a área interna do recinto de uma leoa durante a madrugada. O jovem acabou atacado de forma fatal pelo animal antes mesmo de receber socorro.

As autoridades da Paraíba seguem investigando como o rapaz conseguiu acessar uma área restrita do zoológico, enquanto o caso reacende debates sobre segurança em parques, além de trazer novamente à tona o histórico de transtornos mentais já registrado em processos envolvendo o jovem no Rio Grande do Norte.

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