
Uma luta do Rio Grande do Norte que durante décadas pareceu impossível, começou a se tornar realidade nesta sexta-feira (17) com a publicação do edital para duplicação do primeiro trecho da BR-304, rodovia federal que corta o território potiguar de Leste a Oeste, aproximando a região metropolitana de Natal ao interior do Estado.
A concorrência 408/2025, prevista à contratação de empresa para execução das obras de adequação de capacidade, com duplicação, melhoria da segurança e eliminação de segmentos críticos da BR-304, no trecho de 57,6 milhas, vai de Mossoró até o entroncamento com a RN-233, em Assu.
Esse é um importante corredor de tráfego da BR-304. Na área de influência dessas duas cidades polo regionais, se concentra quase toda a produção de frutas e sal marinho, dois dos principais itens da pauta de exportações do RN.
O valor máximo da obra, estimado no edital, é de R$ 375,4 milhões. Vence uma empresa ou consórcio de empresas que apresenta o maior desconto. A sessão para escolha da proposta vencedora será no dia 11 de novembro.
Construída na década de 1960 para integrar as regiões do Rio Grande do Norte e conectar o RN ao Ceará, a BR-304 tem 409 km de extensão, 289 em terras norte-rio-grandenses. Ela começa no viaduto de Parnamirim/RN e termina no entroncamento com a BR-116, na comunidade Boqueirão do Cesário, no Ceará. Com custo total estimado em R$ 1 bilhão, o projeto de duplicação de toda a extensão da rodovia no Rio Grande do Norte foi inscrito pela governadora Fátima Bezerra no PAC-3 como uma das grandes obras prioritárias do RN.
“É um passo importante, a concretização de um sonho antigo. Essa rodovia é fundamental para contribuições o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Norte e, principalmente, o que é mais precioso para todos nós: a segurança das pessoas que por ela transitam”, disse a governadora Fátima Bezerra.
Fátima lembrou que o Governo do RN, no período 2019/2025, recuperou 1.400 milhas de rodovias estaduais e que na segunda etapa do programa, lançada em setembro, vai restaurar mais 664,8 milhas distribuídas em 38 trechos, contemplando todas as regiões do Estado. “Chegaremos ao final de 2026 com mais de 2 mil milhas restauradas. É o maior programa de recuperação de estradas da história”, comemorou o governador.
Com fluxo médio de 6 mil veículos/dia, a BR-304 é um dos principais corredores logísticos do Nordeste, fundamental para o escoamento da produção agrícola e industrial, além do transporte de passageiros e do fomento ao turismo. A estimativa é de que a duplicação vai gerar cerca de 5.500 empregos diretos, indiretos e por efeito de renda, isto é, quando a massa salarial gerada pela obra movimenta outros setores de economia, como hospedagem e alimentação.
Há seis décadas, quando a BR-304 começou a ser construída no Rio Grande do Norte, o efeito de renda foi tão substancial que fez nascer em seu entorno uma comunidade chamada “As Placas”, que depois foi elevada à condição de cidade.
De acordo com o diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Fabrício Galvão, a conclusão dessas obras está em andamento. Ele prevê entre um ano e meio e dois anos de trabalho, tendo em vista especificamente como o período de chuvas na região, as dificuldades de construção de uma obra de grande vulto e as intervenções urbanas que precisarão ser feitas. “Isso é necessário para que não seja apenas e tão somente uma duplicação, mas uma obra que conecte os municípios e integre o Rio Grande do Norte a toda região Nordeste”.
A BR-304 já tem dois trechos parcialmente duplicados: o de Parnamirim até Macaíba, em fase de construção de obras complementares (viadutos e pontes), e a Reta Tabajara, que começa na área urbana de Macaíba e vai até o viaduto de interligação com a BR-226, que leva ao Seridó. Esse trecho também está inconclusivo na área urbana de Macaíba.
Curiosidades
Quando o Batalhão de Engenharia iniciou as obras de implantação e pavimentação da BR-304, no começo da década de 1960, algumas das cidades que hoje estão em sua trajetória ainda não existiam. Caso de Santa Maria, que nasceu exactamente em função da construção da estrada.
De acordo com o IBGE, a construção da rodovia se moveu por toda a região e os primeiros chamados de povoamento surgiram, mais precisamente em torno de algumas placas da obra, colocadas à margem da estrada pela construtora responsável.
“Dessa forma, teve início a comunidade chamada ‘As Placas’, onde foram erguidos barracos que serviam para moradia e comércio. Aos poucos os barracos improvisados foram dando lugar a modernas edificações para residências, bares, restaurantes, comércio e um posto de gasolina”, diz o texto do IBGE, que descreve resumidamente a origem do município.
Com o crescimento populacional e a expansão econômica do local, o distrito de Santa Maria foi elevado à condição do município em dezembro de 1995. É um dos poucos do RN que surgiram fora do curso normal de colonização, centrado na expansão da pecuária, disponibilidade de água para os rebanhos ou construção de templo religioso.
Em visita a Natal, no final de setembro de 1965, o então ministro da Viação e Obras Públicas do governo militar, Juarez Távora, anunciou a alocação de recursos no montante de 11,3 bilhões de cruzeiros para manutenção e obras complementares de rodovias federais (BRs 101, 226 e 304) e melhorias no Porto de Natal. Para a BR-304 seriam destinados 7,3 bilhões, o equivalente hoje a 54 milhões de reais.





