Exclusivo: Neilton e as perguntas que ninguém teve coragem de fazer
Alivaci Costa – Deputado, muito se fala sobre a importância de ter um representante da terra na Assembleia, mas o eleitor mais crítico questiona se essa representatividade se traduz em poder real ou se é apenas uma vitrine para emendas parlamentares. Qual é o ganho prático e mensurável que Apodi teve por ter o senhor lá, e não um deputado de outra região?
Neílton Diógenes: Representatividade de verdade não é discurso, é resultado. E isso Apodi já começou a sentir na prática. Hoje, Apodi não depende mais de pedir espaço, a cidade está na mesa onde as decisões acontecem. Isso muda tudo. Conseguimos viabilizar investimentos importantes, como recursos para saúde, melhorias em infraestrutura e apoio direto às demandas do município.
Mas, mais do que isso, trouxemos Apodi para o centro das discussões do Rio Grande do Norte. Antes, muitas pautas daqui nem chegavam com força ao Governo. Hoje chegam, são defendidas e começam a sair do papel. O ganho real é esse: acesso, prioridade e resultado. E isso nenhum deputado de fora consegue fazer com a mesma intensidade de quem conhece de perto a realidade do nosso povo.
Alivaci Costa – O Hospital Regional Hélio Morais Marinho é uma promessa de melhoria que atravessa décadas e governos. Por que o cidadão de Apodi deveria acreditar que a sua intervenção terá um desfecho diferente do que vimos no passado? O que garante que não estamos diante de mais um ciclo de paliativos?
Neílton Diógenes: Eu entendo a desconfiança, porque essa é uma pauta antiga e que já teve muita promessa. Mas o que estamos fazendo agora é diferente. Primeiro, é importante deixar claro: o deputado não gere hospital. Quem executa é o Governo do Estado, através da SESAP. O meu papel é outro, é garantir que o recurso chegue, que seja carimbado e, principalmente, que não se perca na burocracia. E é isso que estamos fazendo: acompanhando de perto, cobrando tecnicamente, indo à secretaria, fiscalizando prazos e cobrando respostas. Não é discurso, é pressão contínua.
E aí trazemos os números: o nosso hospital hoje realiza por ano mais de 1000 cirurgias eletivas, é referência no atendimento de urgência a pessoas infartadas, está passando por uma reforma de mais de 1 milhão de reais, algo inimaginável há pouco tempo atrás quando queriam encerrar o funcionamento do mesmo. Eu não estou aqui para prometer solução mágica. Estou aqui para ser o cobrador incansável para que o hospital avance de verdade, e é assim que estamos quebrando esse ciclo de promessas. Fazemos isso com resultados!
Alivaci Costa – O senhor é bombeiro militar e uma de suas principais marcas é a instalação da unidade em Apodi. No entanto, adversários políticos apontam que essa seria uma “pauta de vaidade pessoal” por conta da sua profissão. Como o senhor responde a quem diz que a prioridade foi dada pela afinidade com a farda, e não necessariamente por uma urgência estratégica da cidade?
Neílton Diógenes: Eu tenho orgulho da minha profissão, mas essa pauta não é sobre vaidade, é sobre necessidade real da população. Apodi e toda a região Oeste não podiam mais depender de cidades distantes em situações de emergência. Quando se fala em incêndio, acidente ou resgate, minutos fazem diferença entre a vida e a morte. A instalação do Corpo de Bombeiros aqui foi uma decisão estratégica, pensada para reduzir tempo de resposta e salvar vidas. E isso já está acontecendo na prática.
Se eu conheço a área por dentro, isso não é problema, é solução. Usei essa experiência para tirar um projeto do papel que há anos era necessário. No fim das contas, o que importa não é quem defende a pauta, é o resultado que ela entrega. E essa entrega hoje está protegendo vidas em Apodi e em toda a região.
Alivaci Costa – A política é feita de grupos, e o grupo que o elegeu hoje está fragmentado. Para um eleitor bem informado, que preza pela estabilidade, esse cenário de rompimento com lideranças históricas como Alan Silveira não sinaliza uma fragilidade no seu apoio de base? O senhor está construindo um grupo novo ou apenas sobrevivendo politicamente?
Neílton Diógenes: Na verdade, essa leitura não corresponde ao que aconteceu. Em 2022, eu não tinha um grupo político estruturado estava justamente iniciando um projeto, construindo apoios com base na confiança das pessoas. Então não existe essa ideia de ‘fragmentação’ de um grupo que nunca foi fechado lá atrás.
Houve sim um acordo político, pensando em Apodi: a eleição de Sabino em 2024 e a continuidade da nossa atuação em 2026. Esse acordo não foi cumprido pela outra parte, mas isso também não compromete o projeto. Porque o mais importante aconteceu: o grupo que venceu a eleição de 2024, prefeito Sabino, vice Ivanildo e vereadores Filipe, Laete, Ângelo, Andreazo, Ednarte, Galinho, Railton e Jr Souza, hoje está unido em torno da nossa continuidade na Assembleia.
Então não se trata de sobrevivência, nem de criar algo novo agora. É a consolidação de um projeto que começou lá atrás e que hoje está mais forte, com base política, apoio popular e, principalmente, resultado entregue. O foco segue sendo um só: garantir que Apodi continue tendo voz, espaço e representação de verdade na Assembleia Legislativa.
Alivaci Costa – Existe um sentimento de “desilusão eleitoral” em uma parcela de quem votou no senhor e hoje diz que não repetiria o voto. Onde o mandato falhou na comunicação ou na entrega para que esse sentimento surgisse? O erro foi da expectativa do eleitor ou da execução do parlamentar?
Neílton Diógenes: Sinceramente, esse não é o sentimento que eu encontro nas ruas. Pelo contrário, o que vejo é uma população que reconhece a importância de Apodi ter um deputado presente e atuante. Claro que pode existir uma parcela de insatisfeitos, e isso é natural em qualquer mandato, seja por expectativa, por posicionamento ou por outras questões. E a gente respeita isso. Mas, de forma geral, as pessoas têm sentido na prática os avanços.
As pesquisas e avaliações internas que fazemos mostram exatamente isso: o povo entendeu o peso de ter uma representação de verdade na Assembleia. O que existe, sim, é uma ansiedade legítima por mais resultados, e isso eu concordo. A política tem um tempo diferente, mais burocrático, e cabe a nós acelerar o que for possível e comunicar melhor cada passo. O importante é que hoje Apodi não está mais ausente das decisões. E o caminho agora é consolidar esse espaço e transformar cada vez mais isso em entregas concretas. Tenho a convicção de que o povo está compreendendo esse processo.
Alivaci Costa – O senhor tem expandido sua atuação para outras regiões, como o Seridó. Existe o temor em Apodi de que a cidade esteja se tornando apenas um “trampolim” para as suas ambições estaduais. O Neílton Diógenes que busca votos em Jardim de Piranhas é o mesmo que ainda tem tempo para cuidar dos problemas do Calçadão da Lagoa?
Neílton Diógenes: Eu vejo exatamente o contrário. Quando eu amplio o trabalho e busco apoio em outras regiões, o mandato fica mais forte e quem ganha com isso é Apodi. Eu continuo morando aqui, com minha família, vivendo a cidade no dia a dia, enfrentando os mesmos problemas que qualquer apodiense enfrenta. Não existe distância. Para um mandato ser forte, ele precisa ter articulação estadual. Precisa ter relação, apoio e presença em várias regiões. É isso que dá força na hora de defender Apodi. E sejamos sinceros: por muitos anos nossa cidade ficou fora desses espaços de decisão. Hoje, a gente ocupa esse lugar e ampliar essa presença é justamente o que garante mais resultado para casa. Então não é sobre sair de Apodi. É sobre levar Apodi cada vez mais longe.
Alivaci Costa – Para 2026, a meta de votação é ambiciosa. Mas, em um cenário de polarização e de novas lideranças surgindo, o senhor acredita que o “trabalho prestado” é suficiente para segurar a cadeira, ou o senhor terá que se render às velhas práticas de coligações puramente numéricas para sobrevir?
Neílton Diógenes: Eu acredito muito no trabalho prestado, porque é ele que dá legitimidade a qualquer projeto político. Mas também tenho consciência de que política se faz com diálogo, articulação e construção de alianças. Desde o início do mandato, sigo no mesmo alinhamento político, ao lado do meu líder João Maia e também dialogando com o pré-candidato a governador Allyson. E isso mostra coerência. Hoje, o cenário é de muita movimentação, uma verdadeira dança de cadeiras, com deputados buscando novos horizontes eleitorais. Enquanto isso, eu sigo firme no mesmo caminho, no mesmo partido, o Progressistas, com clareza de projeto.
A diferença está justamente aí: não é sobre acordos por número, é sobre construção com propósito. Parcerias que respeitam a população e que estejam alinhadas com um projeto de desenvolvimento. Vamos continuar dialogando, ampliando apoios e fortalecendo o mandato. Mas sem abrir mão da coerência, da forma de fazer política e, principalmente, do compromisso com quem confiou na gente. No fim, o que garante a cadeira não é só articulação — é ter entregue, ter presença e ter credibilidade com o povo.
Alivaci Costa – Deputado, o senhor é visto por muitos como uma “nova face” da política, mas a política estadual costuma engolir quem não se adapta ao sistema. Após três anos de mandato, o senhor mudou o sistema ou o sistema mudou o senhor? Por que o eleitor que busca renovação ainda deve confiar no seu nome?
Neílton Diógenes: A política tem regras, isso é fato. Mas eu não entrei para repetir o sistema — entrei para fazer diferente dentro dele. Ao longo desses anos, claro que a gente aprende, entende melhor como as coisas funcionam e ganha maturidade. Mas isso não mudou meus princípios, nem a forma como eu faço política. Continuo sendo o mesmo: acessível, presente, direto e com compromisso de resultado. O que mudou foi a capacidade de agir. Hoje eu tenho mais articulação, mais experiência e mais força para tirar as coisas do papel.
Então não é o sistema que me mudou — foi o mandato que me deu mais condição de entregar. E é por isso que quem busca renovação pode continuar confiando: porque não é só discurso. É uma forma diferente de fazer política que já começou a dar resultado e que agora tem mais condições de avançar ainda mais.





