
A política de Apodi é marcada por reviravoltas. E poucas histórias representam tão bem esse cenário quanto a trajetória do ex-prefeito Alan Silveira Pinto, Alan de Gorete.
Em 2016, Alan era visto como um azarão. Sem estrutura robusta, sem favoritismo e com pouca confiança das lideranças políticas, encontrou na então vereadora Hortência Regalado a parceria que mudaria tudo.
Hortência abriu mão de um caminho seguro rumo à reeleição para apostar no improvável. Nascia ali a chapa “Hortelã”, que rapidamente conquistou o povo e venceu nomes fortes como Flaviano Monteiro e José Pinheiro.

Uma vitória histórica.
O primeiro erro: romper com quem ajudou a vencer
Quatro anos depois, o que parecia um projeto sólido começou a ruir.
Ao invés de manter a parceria que o levou ao poder, Alan Silveira Pinto decidiu mudar o rumo. Encantou-se com o jovem empresário Neílton Diógenes e descartou Hortência — justamente quem esteve ao seu lado quando ninguém mais quis estar.
O gesto teve consequências profundas.
Hortência se afastou da política e, até hoje, permanece distante. Uma saída silenciosa, mas que nos bastidores é vista como símbolo de decepção.

A criatura se volta contra o criador
A aposta em Neílton também cobrou seu preço. Neílton foi doutrinado na política pelo apóstolo. O homem do papel higiênico. Em outro artigo eu explico melhor.
Ainda como vice-prefeito, ele começou a trilhar um caminho próprio. O rompimento com Alan veio de forma rápida e inevitável.
O aliado virou adversário.
Mesmo sem base consolidada, Neílton se elegeu deputado estadual com cerca de 25 mil votos, impulsionado por uma nominata forte.
Hoje, não apenas rompeu com Alan — tornou-se um dos principais nomes a enfrentá-lo politicamente.
Efeito nominata e frustração do eleitor
A eleição de Neílton Diógenes também passa pela força da nominata.
Encabeçada por nomes como Wendell Lagartixa e Coronel Azevedo, que estouraram nas urnas com mais de 130 mil votos cada, a chapa acabou puxando candidatos com menor densidade eleitoral.
Foi nesse cenário que Neílton chegou à Assembleia.
Mas o mandato, até aqui, tem gerado frustração no eleitorado apodiense.
A avaliação é direta nos bastidores: muita expectativa para pouca entrega. Para muitos, “tem muita farofa para pouca carne”. Mídia em excesso que tem gerado até memes nas redes sociais.

Mandato sem entrega e discurso desgastado
Como deputado estadual, Neílton Diógenes ainda não apresentou ações concretas que tenham melhorado de forma significativa a vida do povo de Apodi.
A atuação é considerada tímida, sem projetos estruturantes ou resultados práticos.
O principal discurso segue sendo o de “deputado da terra”.
Mas isso já não basta.
O eleitor quer mais do que identificação. Quer resultado. Quer trabalho.

O mesmo roteiro se repete
O padrão de construção e descarte político voltou a acontecer.
Luciano Diógenes, então chefe de gabinete de Alan, foi incentivado a construir uma pré-candidatura a prefeito. Ganhou as ruas, dialogou com a população, com as comunidades, fortaleceu seu nome.
Até ser descartado.
Mais uma vez, a decisão gerou desgaste — inclusive dentro da própria família — e amplianso o isolamento político do ex-prefeito.
Desgaste interno e erros estratégicos
Alan Silveira Pinto também contribuiu para o próprio desgaste político.
Em 2024, ainda no comando do Palácio Francisco Pinto, escolheu o seu motorista particular, Ronaldo Adriane, como candidato oficial do grupo para vereador, invadindo bases de aliados e gerando insatisfação entre vereadores e suplentes.
O movimento deixou mágoas.
Nos bastidores, relatos apontam promessas não cumpridas. Em um dos casos mais comentados, Alan teria sinalizado estrutura e até 15 apoios a um candidato, mas não teria cumprido com nenhum.
O resultado foi imediato: perda de confiança e enfraquecimento do grupo.
Base esvaziada e aliados em debandada
Com o passar do tempo, as consequências ficaram ainda mais visíveis.
O grupo político de Alan começou a se desfazer. Vereadores que até pouco tempo davam a vida por Alan de Gorete, como é o caso de Júnior Souza, Laete Oliveira, Ednarte Silveira e Galinho, além do vice-prefeito Ivanildo Lima, se afastaram. O que mais chamou a atenção foi o vice-prefeito Ivanildo Lima, uma aposta de Alan na política.
Muitos migraram para o campo de Neílton Diógenes e do prefeito Sabino Neto.
O isolamento se consolidou.
Aposta no Bacurau sem a força do poder
Hoje, Alan tenta se reposicionar politicamente.
Declarou apoio às pré-candidaturas de Waltinho de Garibaldi para deputado estadual e de Dr. Bernardo Amorim para deputado federal, apostando na tradição e na força do bacurau.
Mas o cenário mudou.
Sem o comando do Palácio Francisco Pinto, Alan perdeu o principal instrumento de articulação política: o poder.
E na política, sem poder, os aliados de ocasião são os primeiros a sair.
Hoje, restam ao seu lado o vereador Ronaldo Adriane e poucos aliados.
A resposta virá das urnas
Diante desse cenário, o futuro político de Alan Silveira Pinto entra em um momento decisivo.
As eleições de outubro serão o verdadeiro teste de força.
Será nas urnas que se saberá quem realmente ainda tem voto, influência e respaldo popular nas terras de Nossa Senhora da Conceição e São João Batista.
Porque, na política, não é o discurso que define o rumo.
É o voto.





